Almeida, Adérito
Portugal, 1967–2023
Adérito Almeida trabalhou sempre como oleiro. Teve como mestre José Maria Rodrigues (1906–1999), com quem aprendeu a trabalhar o barro e de quem «herdou» uma roda, que exibia com orgulho, apesar de não a usar nas suas criações, conforme fazia questão de esclarecer. A matéria-prima de eleição era um barro proveniente das Termas do Carvalhal, que, antes de ser lidado, era seco ao sol, picado e peneirado, para expurgar areias e impurezas e poder ser, por fim, amassado. Dava então forma a peças geralmente de grande pormenor, embora apreciasse deixar umas quantas de estrutura mais tosca. Fez cristos, anjos, ceias, músicos, totens, esfinges. As figuras egípcias eram, aliás, especiais para ele. Associava-as à técnica do tempo neolítico, cozendo-as, tal como na antiguidade, numa soenga. «Qualquer obra tem de estar muito bem seca antes de ir para a soenga. Se tal não acontecer, a mesma pode estourar na cozedura. Daí, nunca se poder ter pressa, nem para as fazer e muito menos para as cozer.»