Sagrado Coração
31 maio 2026 - 28 fevereiro 2027Curadoria Joaquim Caetano
Fundação Eugénio de Almeida
Sagrado Coração
Obras do acervo da Arquidiocese de Évora e da Coleção Treger Saint Silvestre
Uma longa história cultural e simbólica fez do coração o lugar físico das paixões. O coração oferece-se, rouba-se, arrebata-se, magoa-se ou exulta ao ritmo dos sentimentos. Às paixões ligam-se as emoções amorosas, mas também o ódio, a ira e, religiosamente, a devoção completa, mas também o sofrimento e a morte dos mártires e sobretudo de Cristo. O que unifica um campo semântico tão vasto é a noção do extremo – o excesso, o descontrolo da razão perante a avalanche das emoções. Nesta exposição cruzamos duas formas de arte que talvez tenham como traço de união precisamente a necessidade de apelarem à incontinência dos sentimentos e à expressão crua das paixões: a arte religiosa da Idade Moderna, com incidência no barroco, com obras do espólio de igrejas da arquidiocese de Évora, e um conjunto de obras contemporâneas da chamada “Arte Bruta”, feita maioritariamente em contexto terapêutico, ou por artistas que quase sempre iniciaram a sua prática em internamentos em hospícios, todas elas cedidas pela notável coleção de Richard Treger e António Saint Silvestre.
Evidentemente são dois conjuntos de natureza muito diferente, que organizamos por quatro salas – a paixão, o coração, o sofrimento e a morte. Se a prática artística dos pacientes era um convite à expressão direta dos seus tormentos e fixações passionais, ou se quisermos, à expulsão dos seus demónios interiores (o Dr. Charcot, em 1875, chamava-lhe “arte dos possuídos e dos demoníacos”), a arte religiosa cristã mostra os horrores do inferno, o sofrimentos dos santos, na penitência ou no martírio, e a violenta paixão de Cristo, canalizando para a crueza das representações a comoção e a meditação dos devotos, numa estratégia de comunicação que também era, frequentemente, um exercício de apaziguamento das paixões (ou da alma) do crente, num processo libertador que não deixa de ter fios de comunicação com a prática artística, feita dentro ou fora dos muros dos hospitais.
EXPOSIÇÃO COLETIVA
Curadoria de Joaquim Oliveira Caetano
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-19h00 | Entrada livre
Inauguração: 31 de maio – 17h00
Fundação Eugénio de Almeida
Centro de Arte e Cultura
Piso 2
Páteo de São Miguel, Apartado 2001, Évora, Portugal, 7000-941