Horror Vacui
21 março 2026 - 24 janeiro 2027Curadoria Marta Jecu
Centro de Arte Oliva
Oitenta e cinco figuras antropomórficas da Coleção Treger Saint Silvestre — animais, máquinas, espíritos, humanos, monstros e anjos — abrem um campo tumultuoso onde a anarquia e o excesso atuam como mecanismos de proteção contra a incerteza ontológica. Preencher o vazio torna-se uma estratégia de estabilização existencial. O termo horror vacui pode ser visto não como um medo mas como uma liberdade de habitar o espaço infinito ao redor e à disposição de cada um. O termo traz a consciência do crescimento e da expansão infinitos que existem na natureza, com uma força que ultrapassa a agência humana. Por outro lado, a ansiedade do vazio e a necessidade de preencher o universo — de forma compulsiva e sem discernimento — com as próprias projeções, sufoca o sujeito numa amalgamação descontrolada.
Horror vacui opera como uma ferramenta diagnóstica, revelando modos culturais de negociar o vazio. Designa a nossa condição existencial de estarmos submetidos ao «vazio» cosmológico, abrangente de tudo, e à dissolução última. O horror vacui medieval nos manuscritos iluminados e nos capitéis de igrejas foi associado à própria ideia de Criação, que era concebida como um preenchimento do vazio com formas e significados — um plenum.
Esta exposição pretende captar não apenas como as convenções podem ser desafiadas, mas também o humor de habitar o espaço e a si próprio com excesso, liberdade e inquietação. Estas esculturas antropomórficas abrem um território que emerge contra as valorizações modernas da síntese e da contenção. Afirmam a confusão, a acumulação irracional, a oscilação e a veemência. A contribuição filosófica do autor português Gonçalo M. Tavares escrita especialmente para esta exposição é apresentada como uma peça sonora, ressoando em todas as salas da exposição e acompanhando o visitante no seu percurso.
Artistas: Adérito Almeida, Agnès Baillon, Alain Lacoste, Alfredo García Revuelta, Anónimos, António Saint Silvestre, Blalla W. Hallmann, Franck Lundangi, Giovanni Battista Podestà, Guilhermina Júlia, Hans Verschoor, Jaber (Al-Mahjoub Jaber), Jean Camille Nasson, Jean-Jules Chasse-Pot, Jean Duranel, Joaquim Baptista Antunes, Joaquim Paiva, Joaquim Vicens, Gironella, José de Guimarães, Josette Rispal, Kazumi Kamae, La Mère François, Lionel Saint Eloi, Martine Orsoni, Mathias et Nathalie, Maureen Visagé, Michel Gouéry*, Mirabelle Dors, Mozart Guerra, Murielle Belin, Nacius Joseph, Nili Pincas, Pascal Tassini, Paul Amar, Pierre Dessons, Poteau Dieudonné*, Reinaldo Eckenberger, Reinata Sadimba, Roland Roure, Rosa Ramalho, Serge Jolimeau, Simone Le Carré-Galimard, Susanne Themlitz, Terry Turrell, Vitalis Čepkauskas*, Wabé (Véronique Achard), Xurxo Oro Claro, Ymène Chetouane.