Fleury-Joseph Crépin

Em cooperação com o Centro de Arte Oliva, o museu gugging apresenta cerca de 150 obras de mais de 80 artistas da reconhecida Colecção Treger Saint Silvestre.

António Saint Silvestre e Richard Treger possuem uma das mais extensivas colecções privadas de Arte Bruta. Inclui artistas clássicos, como Aloïse Corbaz, Henry Darger e Adolf Wölfli, assim como artistas atuais, como Kostia Botkine, Misleidys Castillo Pedroso e Sébastian Ferreira. A Coleção Treger Saint Silvestre também tem trabalho de artistas do Gugging, como Laila Bachtiar e Philipp Schöpke, entre outros.

Além da qualidade das obras reunidas, a Colecção Treger Saint Silvestre destaca-se também pela alargada representatividade geográfica.

 

 

CASULOS. José Malhoa, Dado e Carolein Smit

 

O que há em comum entre Malhoa, Dado e Carolein Smit? Quais são os mundos que os aproximam e quais os que os separam? CASULOS. José Malhoa, Dado e Carolein Smit é o diálogo expositivo que responde a estas questões. O Museu José Malhoa será o local de encontro entre as obras mais “solares” de Malhoa e as obras de Dado e Carolein Smit, selecionadas a partir da Coleção Treger/ Saint Silvestre. Um encontro improvável que celebra Malhoa, Dado, Smit e a energia da vida sob a perspetiva de cada um dos artistas.

A Exposição CASULOS. José Malhoa, Dado e Carolein Smit. abre a 20 de maio, no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, e está patente até 9 de janeiro de 2022.

CASULOS é um projeto da Direção Regional de Cultura do Centro, financiado pelo IPDJ no âmbito do Orçamento Participativo Jovem 2018, e conta com a colaboração do Município de São João da Madeira, da coleção Treger/ Saint Silvestre, do Município de Figueiró dos Vinhos e da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha.

 

 

 

 

 

 

A exposição EUREKA! reúne obras de cerca de cinquenta autores pouco ortodoxos, sobretudo de artistas autodidatas, oriundos dos chamados domínios da arte bruta ou arte outsider, habitando muitos deles um lugar indeterminado entre a ciência e a criação artística, mas também entre a tecnologia e a metafísica. A exposição apresenta um panorama de projetos e investigações, de códigos, fórmulas e teorias que veiculam modelos alternativos de interpretação da realidade e que nos transmitem visões e soluções idiossincráticas do mundo. Simultaneamente, são expostos planos e projetos de invenções, máquinas e diversos veículos, criando estes últimos uma vasta galeria de aviões, carros, comboios e OVNIs.

EUREKA! retira o seu título da interjeição criada pelo matemático, físico e astrónomo da Grécia Antiga, Arquimedes de Siracusa, e desde há muitos séculos tem sido utilizada para expressar a felicidade e euforia das descobertas científicas e do conhecimento, celebrando a capacidade em se identificar, repentinamente, conceitos anteriormente incompreensíveis.

 

Artistas:

Adelhyd van Bender. Alexandre Medvedev. Alexandru Chira. André Robillard. Aníbal Brizuela. Artur Moreira. Charles Dellschau. Damián Valdés Dilla. Daniel Green. David Houis. Erró (Guðmundur Guðmundsson). Eudes Menichetti. Evaristo Rodrigues. Francis Marshall. François Burland. François Monchâtre. Gaël Dufrene. George Widener. Gérard Cambon. Gianni Antonelli. Giovanni Battista Podestà. Giovanni Galli. Giuseppe Barocchi. Guy Brunet. Henry Speller. Ionel Talpazan. Jacques Deal. James Chedburn. Jean Perdrizet. Jerry Gretzinger. Jesuys Crystiano. Johann Hauser. Johannes Stek. John Urho Kemp. José Johann Seinen. Julien Perrier. Jürgen Tauscher. Karl Hans Janke. Leos Wertheimer. Marco Raugei. Mattia Fiodispino. Melvin Way. Mónica Machado. Óscar Morales. Pepe Gaitán. Pépé Vignes. Roland Roure. Tom Duncan. Vitalis Čepkauskas. Warren Van Ess. Wesley Willis. Zdeněk Košek.

Tu ch’entri qua pon mente
parte a parte
et dimmi poi se tante
maraviglie
sien fatte per inganno 
o pur per arte

 

O enigma que a esfinge nos coloca à entrada do parque dos monstros de Bomarzo principia o arranque de ideias que esteve presente na construção de Sereno variável,  uma exposição que congrega cerca de 170 obras dos diversos núcleos da colecção Treger Saint Silvestre. A selecção de trabalhos testemunha o gosto dos colecionadores para o retrato e a figura humana mas também para diferentes aproximações tanto ao nível do detalhe fisionómico e de processos de registo primorosos, como do desproporcional e do indeterminado, sem centro e sem margens. Sereno variável apresenta criaturas sábias entre sombras de maneirismo e grotesco, com ecos de literatura medieval e epopeias mitteleuropeias, que se espalham pelas salas com as contínuas referências mitológicas e enigmáticas, entre máscaras, sátiras e jogos ilusionísticos, surpreendendo com a sua irregularidade alienante.

Sereno variável é uma história, um destino, uma forma de escrita pessoal, o estudo de uma colecção, ou porventura a invenção de uma realidade onde ogni pensiero vola e contém tudo, cada gesto, cada escrito, cada rumor, cada descoberta, cada arquitectura cénica, perspectiva e reviravolta.

Antonia Gaeta

Artistas:

Abraham Hadad, Agatha Wojciechowsky, Agnès Baillon, Alain Lacoste, Albino Braz, Alekos Fassianos, Alessandra Michelangelo, Alexandre Lobanov, Almazov (Nicolaï Vorobiov), Aloïse Corbaz, Ana Carrondo, Anónimo espanhol (Collection Lafora), August Walla, Aurel Iselstöger, Barbara Demlczuk, C.V.M. (Carlos Victor Martins), Carlo Franco Stella, Christina Canetti, Daldo Marte, Davood Koochaki, Derrick Alexis Coard, Donald Mitchell, Donovan Durham, Dusan Kusmic, Dwight Mackintosh, Edmund Monsiel, Egidio Cuniberti, Ergasto Monichon, Ernst Kolb, Eugene von Bruenchenhein, Evaristo Rodrigues, Franck Lundangi, Friedrich Schröder-Sonnenstern, Gabriel Bien-Aimé, Gerald DePrie, Giovanni Battista Podestà, Giovanni Bosco, Gorgali Lorestani, Guo Fengyi, Hans Verschoor, Henry Speller, Igor Andreev, Jaber (Al-Mahjoub Jaber), Jacqueline Bartes, Jaime Fernandes, James Deeds, Janko Domsic, Jim Delarge, Joaquim Vicens Gironella, Johann Fischer, Johann Garber, Johann Hauser, John Henry Toney, Jorge Alberti Cadi, José Manuel Egea, Josef Karl Rädler, Joseph Barbiero, Josette Rispal, Karl Vondal, Kashinath Chawan, Lewis Smith, Lubos Plný, Malcom McKesson, Manuel Bonifácio, Manuel Carrondo, Marco Berlanda, Margarethe Held, Marilena Pelosi, Martha Grünenwaldt, Mary T. Smith, Masao Obata, Maurice Rapin, Michel Macréau, Miron Kiropol, Miroslav Tichý, Misleidys Francisca Castillo Pedroso, Mose Tolliver, Mozart Guerra, Nacius Joseph, Nina Karasek (Joële), P. Veerasamy, Paul Amar, Pépé Vignes (Joseph Vignes), Philipp Schöpke, Pierre Dessons, Pietro Ghizzardi, Prophet Royal Robertson, Raimundo Camilo, Reinaldo Eckenberger, Robert Combas, Roy Wenzel, Simone Le Carré-Galimard, Ted Gordon, Terry Turrell, Thornton Dial, Vitalis Cepkauskas, Wladyslaw Grygny, Ymène Chetouane, Zbyněk Semerák, ZMB (Rui Lourenço)

Com curadoria de António Saint Silvestre, Lusofolia: A Beleza Insensata é a exposição patente na sala de exposições temporárias do Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva de 21 de Março a 12 de Maio de 2019.

A exposição é organizada em parceria com o Centro de Arte Oliva, de S. João da Madeira, onde a colecção de Arte Bruta Treger / Saint Silvestre se encontra em depósito.

Nas palavras de Saint Silvestre, a Arte Bruta é a última descoberta artística do século XXI, a coqueluche das bienais, museus e feiras de arte internacionais, mas ainda não é popular em Portugal.

Os criadores de Arte Bruta portugueses, à excepção de Jaime Fernandes, ainda vivem numa “terra incógnita” e, por esta razão, Treger e Saint Silvestre decidiram nesta mostra reunir duas dezenas de artistas “Brutos” do mundo lusófono, pondo em paralelo Portugal, Brasil e Angola, pela primeira vez apresentados em colectivo.
Serão apresentadas obras dos portugueses Artur Moreira, Carlos Victor Martins, Jaime Fernandes, José Ribeiro, Manuel Bonifácio (que reside em Londres), os irmãos Manuel e Ana Carrondo, Rui Lourenço, Serafim Barbosa, Ti Guilhermina; dos brasileiros Albino Braz, Camilo Raimundo, Evaristo Rodrigues, Jesuys Crystiano, José Teófilo Resende e Marilena Pelosi, além de preciosos desenhos de anónimos angolanos.

É a terceira vez que a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva acolhe a Arte Bruta da Colecção Treger / Saint Silvestre — do Centro de Arte Oliva, o único centro de arte que alberga uma colecção deste campo artístico na Península Ibérica.

Durante a exposição será exibido no Auditório do Museu um filme dedicado à Arte Bruta: Eternity has no door of Escape | Encounters with Outsider Art, do realizador Arthur Borgnis.

Será ainda lançado um catálogo sobre a exposição com textos de Stefanie Gil Franco e António Saint Silvestre.

E ainda em Setembro de 2019, Lusofolia: A Beleza Insensata estará em exposição no Centro de Arte Oliva, em S. João da Madeira

Mais informações:

Press Kit

The concept of “Art Brut” was established in 1945 by French artist Jean Dubuffet and, from that moment on, between “wars and guerrilla warfare”, the definition of this artistic movement has evolved or dispersed, and each author has their own.

British national Roger Cardinal dubbed it “Outsider Art”, but this Anglo-Saxon phrase encompasses all marginal or spontaneous art movements, such as “Popular Art”, “Naïve Art”, “Singular Art”, “New Invention”, “Spiritualist Art” and, of course, “Art Brut”.

We adopted Jean Dubuffet’s idea with slight modifications, such as those by gallerist and lecturer Christian Berst, with “Art Brut” and “Spiritualist Art” being part of the same group.

We disagree that “Art Brut” authors are cultural virgins; everyone, however secluded they may be, has seen a magazine, an advertisement, a book cover and, without a doubt, has been influenced by the world around them.

And, to prove that, one of Jean Dubuffet’s discoveries was Swiss “artist” Héloïse Corbaz, a teacher at the court of Emperor Wilhelm II, one of the most famous “Brut” artists.

Other artists who float in between are represented in collections or exhibitions, according to the concept of the curators or the collectors.

“Art Brut”, the last artistic discovery of the 21st century, is the fad of biennials, museums and international art fairs, but it is yet to become popular in our country.

Portuguese “Art Brut” authors still live in “terra incognita”, apart from Jaime Fernandes, and for that reason we have decided to assemble about twenty “Brut” artists from the Portuguese-speaking world, bringing Portugal, Brazil and Angola together, and introducing them collectively for the first time.

The starting point of “Lusofolia: Insane Beauty” will be Jaime Fernandes (1900-1969), the Portuguese artist from Covilhã who was committed to Miguel Bombarda Hospital, where he created his work, which is part of all international “Art Brut” collections.

Unfortunately, few pieces by this artist are left in Portugal, some in the Gulbenkian Foundation collection, others in our own collection, and some pieces still in the hands of private collectors.

We will also introduce works by Portuguese artists Manuel Bonifácio, who lives in London, siblings Manuel and Ana Carrondo, Jaime Fernandes, Daniel Gonçalves, Ti Guilhermina, Carlos Victor Martins, Artur Moreira, José Ribeiro, Serafim Barbosa, Brazilian artists Albino Braz, Jesuys Crystiano, Evaristo Rodrigues, Marilena Pelosi, Raimundo Camilo and José Teófilo Resende, alongside precious drawings by unknown Angolan artists, plus Mário Chichorro, João Fróis, Mónica Machado and Paula Rego.

António Saint Silvestre

 

 

Lusofolia: Insane Beauty display works that deserve the attention of the artistic system and that make us think about the gray areas between the so-called “outsider” and “insider” artists.

During the exhibition will be screening the film dedicated to Art Brut: “Eternity has no door of Escape | Encounters with Outsider Art”, by director Arthur Borgnis.

A smaller version of the Lusofolia exhibition was presented between March and May 2019 at the Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva (Lisbon).

 

Presented Artists:

Albino Braz (Brasil, 1893-1950); Ana Carrondo (Portugal, 1967); Anónimo Angolano; Artur Moreira (Portugal, 1967); C.V.M. [Carlos Victor Martins] (Portugal, 1972); Daniel Gonçalves (Portugal, 1977), Evaristo Rodrigues (Brasil, datas desconhecidas); Jaime Fernandes (Portugal, 1900-1969); Jesuys Crystyano (Brasil, 1950-2015); João Fróis (Moçambique, 1949); José Ribeiro (Portugal, 1967); José Teófilo Resende (Brasil, 1919-?); Manuel Bonifácio (Portugal, 1947); Manuel Carrondo (Portugal, 1969); Marilena Pelosi (Brasil, 1957); Mário Chichorro (Portugal, 1932); Mónica Machado (Portugal, 1966); Raimundo Camilo (Brasil, 1935-2015); ZMB (Rui Lourenço) (Portugal, 1973); Serafim (Portugal, 1983); “Ti Guilhermina”(Guilhermina Júlia) (Portugal, 1909-2004).

Vídeo da Exposição

A exposição El ojo eléctrico com curadoria de Antonia Gaeta e Pilar Soler em exibição até dia 5 de Janeiro na La Casa Encendida reúne trabalhos de 41 artistas da nossa colecção.
Concentra-se na apresentação de uma série de obras que usam a linguagem artística para desvendar uma enigmática ida e volta entre várias dimensões ou entre uma realidade visível e invisível, através de mensagens encriptadas que usam estruturas cosmológicas como suporte para realidades e mundos diferentes, muitas vezes deliberadamente obscura e de iconografia complexa.
A compreensão destas obras reside no encontro entre formas e significados que reúnem entidades e figuras tutelares. Um projecto sobre o mistério do significado e da presença oculta. A exposição dramatiza estes elementos como se fossem memórias transitórias que se materializam em realidades múltiplas e complexas, cálculos concretos, pirâmides de poder, apatia combatida com a concretização de uma missão visionária.
Enfatiza-se uma impossibilidade desafiadora de decifrar na sua totalidade a mensagem inscrita nas obras, uma vez que os artistas muitas vezes agem como mediadores entre o mundo racional e o desconhecido ou transcendental. Estas obras tornam-se relatos do inconsciente e assumem, sem querer, aspectos subversivos diante do discurso da ordem estabelecida. Questionam os limites da razão através de diferentes mensagens codificadas, fórmulas, figuras inventadas e códigos secretos. Há sempre algo oculto que se torna um enigma e que emerge como o único espaço possível de libertação perante a sua condição patológica. O projecto expositivo, pensado nesses termos, mostra a força dos processos subjectivos, obsessões compulsivas e visões fantásticas.

 

 

Press Kit (SP)

Hosted by the cultural center of the Lisbon Architecture Triennale, “Visionary Architecture” is an exhibition curated by Antonia Gaeta developed on the Treger / Saint Silvestre Collection. The showcase is part of the parallel programme of the Art Fair – ARCO Lisboa 2019.

“Of the myriad of artistic fields you can cross in the Treger / Saint Silvestre Collection, among those occupied by mystics, psychics, self-proclaimed metaphysicians who tried to use art as a tool to access seemingly hidden realms, we cut out the aspect of the eccentrics, the makers and the visionaries, in an effort to reveal, through a parallel with the almost magical properties of gold, artists whose work pursued the perfection of the most sublime architectonic achievements. In the categorization and choice of works and architectural typology, we tried to showcase the intelligible diversity of drawings, either monologues, contemplations or solitary reasoning, with the purpose of making the understanding of the relation between natural and entropic components, beauty canons, diversity and organization more fluid. Ideal projects, architectures on paper, works that describe mental images and delusions associated with the desire to achieve ideal and perfect worlds, the dreamed home or city, in order to recreate a space or a form where they feel truly welcome.

In the exhibition, the visionary is an ideal; the impracticable a utopian perfection, a mental image dissociated from the physical nature of the real world, the occasion to rebuild the world as each artist believes it should be or, in any case, an invitation to discover and build their own narrative. Each showcased work is, at the same time, a synthesis of intellectual and formal construction, an expression of the relation between forms, the balance between colours, improvement and perfection. It’s in this regard that the golden number follows and challenges the construction of projects, scant prototypes capable of adapting to nomadism or indulging the fantasy of a flying or wheeled home, the union of imagination and function, the essential and the random. Hence, brilliant and unbalanced inventions emerge, perceptive challenges, an idea delineated in space made of physical relations between architecture and nature, heaven and earth. And also endless hierarchical relations, between the divine and society, with unsolved riddles inside claustrophobic spatial structures, a vision that encases the whole world and survives purely as artistic vision.”

Presented Artists:
A.C.M., Arumugam, Adolf Wölfli, Alexandro García, Alexandru Chira, Beverly Baker, Carlo Franco Stella, Daniel Gonçalves, Eugene von Bruenchenhein, Georges Widener, Gianni Antonelli, Hassan, Jesuys Chrystiano, John Devlin, Kostia Botkine, Leopold Strobl, Prophet Royal Robertson, Titov Yuri Vassilievich, Welmon Sharlhorne, Wesley Willis

 

Set Design: Ramiro Guerreiro
Installation: SetUp

Photography: Marta Pina

Press Kit (PT / ENG)

 

More information about the exhibition:

Presented Artists

Press Kit (PT / ENG)

 

 

 

Somos todos “negros” mesmo se muitos nunca o souberam, ou já se esqueceram.
A África foi o berço da Humanidade, que partiu à conquista do planeta e, segundo o clima, a alimentação e mais outros elementos que desconheço, a pele humana passou do negro azulado ao castanho-escuro, claro, bege, bege avermelhado, amarelo, vários tons de creme e creme rosado, dito branco.
Quando a África se tornou no supermercado da Europa, que começou a servir-se não só das mercadorias como transformou os africanos em mercadorias que foram exportadas por esse mundo fora, sobretudo para as Américas, o homem “preto” perdeu nos olhos do homem “branco” a sua essência humana.
Este péssimo costume de vender pessoas como animais, sempre foi infelizmente o apanágio da raça humana, sem distinção de cores, mas nos últimos séculos foi decidido que os tons mais sombrios seriam menos valiosos, ignorando a imensidade de cientistas, escritores, poetas, desportistas, cantores e afins que as cores mais escuras da paleta ofereceram ao mundo. Não há raças mas tipos humanos, todos com as mesmas capacidades, os mesmos defeitos, os mesmos talentos e os mesmos direitos.
A África é um aglomerado de povos díspares, tão diferentes uns dos outros como os Suecos dos Italianos e os Russos dos Portugueses.
Mas a vasta criação artística de norte a sul é de uma imensa riqueza, como provam as pinturas rupestres do Zimbabué, as esculturas em terracota do povo Nok e Djenné, os objetos de Ife, os maravilhosos bronzes Igbo Ikwu e do reino do Benim.
E não só; tudo é arte e criação como as colheres de pau, as portas das casas, os objetos rituais, as máscaras tradicionais que inspiraram os artistas da “Arte Moderna”, sobretudo o maior de entre eles, Pablo Picasso.
Mesmo fora da arte dita “nobre”, a reutilização de objetos da vida corrente como latas de soda, sacos de plástico, escovas de dentes, bombas de aerossol e muitos outros, são transformados em ”masterpieces“ pela força motriz da criatividade.
Tudo é pretexto para arte.
Tal como igualmente os meios mais convencionais e comuns a qualquer artista, como o lápis, o papel, as tintas e as telas.
Artistas africanos, “In and Out of Africa” e outros misturados provam que a cor da pele é um detalhe sem importância, não só nas qualidades gerais mas igualmente na força da criação artística. É o que vamos provar com a apresentação desta exposição baseada nas obras da colecção Treger/Saint Silvestre.
Os artistas “in “ serão sobretudo contemporâneos, mesmo se marcados por uma certa onda “outsider “, os artistas “out” pertencem sobretudo ao mundo da “ Arte Bruta”.

 

Artistas In: Anonymous Angolan Artist, Ardmore Ceramic Art (Sfiso Myelase, Sabelo Khoza e Mickey Chonco), Aston (Serge Mikpon), Franck Lundangi, Colbert Mashile, Ezekiel Messou, Joël Mpah Dooh, Sam Nhlengethwa, Dexter Nyamainasche, Gérard Quenum, Moffat Takadiwa

 

Artistas Out: Gabriel Bien Aimé, Raimundo Camillo, José Castillo, Jesus Christyano, Mamadou Cissé, Thornton Dial, Donovan Durham, Misleidys Francisca Castillo Pedroso, Ted Gordon, Hassan, William Hawkins, John Henry Toney, Serge Jolimeau, Daldo Marte, Donald Mitchell, Camille-Jean Nasson, Marilena Pelosi, Royal Robertson, Lionel Saint Eloï, Welmon Sharlhorne, Hnery Speller, Mary Tillman Smith, José Teófilo Resende, Mose Ernest Tolliver, Victor Ulloa, Ray Vickers, Melvin Way, Wesley Willis